Lucio Woytovicz Junior e Lucas Sarzi

Toda droga é definitivamente uma droga, não é?! Mas qual delas é a mais devastadora? Qual leva menos tempo para prejudicar totalmente um organismo? Ou então, que tipo de dependência é mais frequente?

Listamos dez drogas por ordem de força, das mais “destruidoras” para as mais leves, mas não menos perigosas. E a vencedora é…

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Heroína

A heroína ou diacetilmorfina é uma droga que é produzida com base no fruto de algumas espécies da planta papoula. É considerada a droga mais forte e estimula comportamentos violentos em seus consumidores. A heroína é liquida, portanto o usuário injeta a droga direto nas veias ou a inala.

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Demais drogas

A cocaína é outra substância derivada de plantas. A droga é produzida através do arbusto Erythroxylum Coca Lamarck e é um estimulante com alto poder de causar dependência. O uso da cocaína pode causar hipertensão arterial e distúrbios psiquiátricos. A droga é vendida em formato de pó e pode ser consumida de várias formas, a mais comum é pela aspiração.

Já o crack, faz parte de outra forma de produção da cocaína, em que uma pasta do pó é cristalizada. O efeito desta substância, quando tragada, é o mesmo do uso da cocaína injetada.

Mas a forma de utilização mais usual entre estas dez drogas é a pílula. A ingestão via oral é possível em metade das substâncias mais perigosas ao organismo.

A droga simples, perigosa e lícita

A droga mais conhecida e, ao mesmo tempo, a mais vendida no planeta é a bebida alcoólica. O alcoolismo, por sua vez, é um problema de saúde pública mundial. Os efeitos do álcool no cérebro de adolescentes, por exemplo, podem afetar regiões responsáveis pela memória, autocontrole e motivação.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o consumo de álcool em grande escala está associado a um maior risco de doença de Alzheimer e outras doenças como angina no peito, fraturas e osteoporose, diabetes, úlcera duodenal, cálculo biliar, hepatite A, linfomas, pedras nos rins, síndrome metabólica, câncer no pâncreas, doença de Parkinson, artrite reumática e gastrite.

Muitas pessoas começam a usar drogas a partir do álcool. Este foi o caso de Antônio Júlio das Neves Junior. Ele é ex-dependente químico e passou por todo tipo de formas para se drogar.

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A bebida alcoólica e o crack são as drogas mais comuns encontradas nas cidades de hoje em dia. E pela facilidade de encontrar pontos de vendas destas substâncias, até pela legalidade do álcool, casos de dependentes nestas drogas são mais recorrentes na Pastoral da Sobriedade, um grupo de ajuda a viciados. É o que afirma a pedagoga da Pastoral da Sobriedade, Lucinéia Coscrato.

Lucinéia.mp3

Fumo: um lento suicídio


Outra substância comum e utilizada mundialmente é o tabaco. Esta droga é produzida através de plantas de Nicotiana L. Após uma tragada, a nicotina é absorvida pelos pulmões e chega ao cérebro em menos de dez segundos.

Os usuários de nicotina aumentam a probabilidade de doenças como infarto do miocárdio, bronquite crônica, enfisema pulmonar, derrame cerebral, úlcera digestiva, etc. O cigarro tem também um potencial muito grande de provocar câncer, pois o fumo contém cerca de 80 substâncias cancerígenas.

Segundo a revista The Economist, “Os cigarros estão entre os produtos de consumo mais lucrativos do mundo. São também os únicos produtos (legais) que, usados como manda o figurino, viciam a maioria dos consumidores e muitas vezes o matam”.

Drogas baratas e consequências caras

Publicado: 3 de abril de 2011 em dependência, Drogas

  Allan Scheid e Altair Bento

Para ter uma noção da gravidade do assunto, o crack, uma droga barata e popular, tem em torno de 1,2 milhões de usuários e com idade média de 13 anos para o início do consumo. Esses dados foram apresentados na Frente Parlamentar Mista de Combate ao Crack, em maio de 2010.

A curiosidade, a busca por novas experiências, a fuga da responsabilidade, os problemas familiares, são apenas alguns dos aspectos que levam muitos jovens até o caminho das drogas. No Brasil o controle é precário, é comum encontrar usuários pelas ruas, o preço baixo e a falta de fiscalização tornam o mercado expansivo e o consumo acaba ganhando um status de “epidemia”.

 

Os números são assustadores, mas o problema é antigo. O ex-dependente químico Antônio Julio das Neves Junior conta uma de suas experiências no início da década de 80, em que o uso de drogas injetáveis era comum, uma delas era o algafan, conforme ele nos relata:

O Algafan possuí uma substância denominada propoxifeno, ela é altamente irritante para as veias, causando inflamação e obstrução. Antônio também citou que ela torna o usuário dependente com extrema facilidade, fazendo com que as doses e injeções aumentem proporcionalmente conforme a necessidade em sentir o efeito da droga. A abstinência desse tipo de injetável também é dolorosa para o usuário, sintomas como diarreia, câimbras musculares, cólicas intestinais, corrimento nasal, náuseas e vômitos são frequentes.

 

em casos mais graves, o uso do algafan ocasiona amputação dos membros

 

 

 

 

 









 

Outra consequência de drogas fortes como o extinto algafan e o próprio crack é a alteração no metabolismo do usuário. Muitos se tornam violentos, se irritam facilmente, tem alucinações, tremores, são extremamente desconfiados e isolados.

A psicóloga Jucemara Feraz tem uma vasta experiência no tratamento de usuários de crack, no vídeo abaixo ela comenta os casos mais comuns dos dependentes:

A quantidade de pessoas que procuram ajuda é relativamente significativa. Lucineia Coscrato realiza um trabalho sócio-educativo na recuperação de dependentes na Pastoral da Sobriedade de Pinhais, na entrevista realizada ela nos descreve o perfil destas pessoas:

E no vazio, eis que surge a família

Publicado: 3 de abril de 2011 em dependência, Família

Cassio Deconto e Guilherme

De acordo com o Ministério da Saúde, em 2010, somente 20% dos viciados em drogas ilícitas conseguiram se libertar do vício. Para a psicóloga Jucemara Feraz rodrigues Anar, especialista em Psicodramas e que trabalha com Psicoterapia de grupo, diz que: “Na maioria das vezes o dependente entra no submundo das drogas, ou se torna reincidente pela ausência da família no convívio”.

Segundo ela, “o dependente químico é uma pessoa sem vínculo emocional que busca nas drogas algo que lhe faltou em algum momento da vida”.

Francisco Carlos Bergami, 51 anos, trabalha como voluntário no Grupo Amor Exigente e explica como a organização funciona.

 

Nos grupos em que Francisco trabalha no Amor Exigente ele atende 15 pessoas por reunião

Quer saber como é o grupo? É familiar de algum dependente? Conhece alguém para ser ajudado? Tem curiosidade em conhecer o grupo? Simples, é só clicar no vídeo abaixo que Francisco explica como faz esse difícil acompanhamento:

Esse sentimento de vazio que caminha ao lado dos dependentes, para a orientadora Lucinéia Coscrato, voluntária na Pastoral da Sobriedade no município de Pinhais, é preenchido com a volta dos laços familiares. E compartilha de opinião com Antônio Julio das Neves Júnior

"A família é o alicerce da vida. Um dependente só se recupera se tiver a ajuda dos entes queridos"

 A família e a superação contra as drogas

 

Como dissemos anteriormente, um dependente químico precisa, e muito, do apoio da família para se livrar do vício. Este é o caso de Antônio Julio Das Neves Júnior, 51 anos, vendedor. Ex-dependente químico ele lamenta ter começado com a maconha, segundo ele, a porta de entrada para o mundo das drogas e conta um pouco de sua trajetória:

Antonio tentou parar mais de uma vez, mas sempre em vão. “O sentimento de solidão, agravado por tantas recaídas, só me fazia afundar mais no vício”. Ele conta que depois das recaídas o vício voltava em dobro. “Em cada vez que tentava parar, algo me fazia voltar com mais voracidade”, completa. “Mas por que parar? Eu era sozinho nesse mundo”.

Em cada vez que tentava parar, algo me fazia voltar com mais voracidade.

Após a reconstituição da família, com seu casamento e a gravidez de sua esposa, conseguiu, se livrar do vício, aos 34 anos e viu um objetivo na vida. “Minha esposa é o fiel da balança. Ela e a minha filha são os meus dois únicos vícios hoje”, completa o sorridente Antônio. Foram cinco anos para livrar-se totalmente das drogas e 12 anos para o Álcool. Porém, conta que ainda bebe cerveja, mas que ele e sua mulher sabem a hora de parar: “Tomo em média três ou quatro latas de cerveja, quando começo a soluçar, minha esposa e eu já sabemos que é a hora de parar”, explica.

 

Hoje Antonio é voluntário em uma igreja e conta sua experiência de vida nos retiros espirituais para tentar salvar dependentes dessa tão árdua vida.

Trocando as Bolas

Publicado: 3 de abril de 2011 em Drogas, Religião

Yuri Vasselai

  Como ser ex-viciado sem ter o apoio integral da Igreja?! Para Antônio das Neves, a “família” fora essencial. Mesmo assim, somada a espiritualidade, a força de vontade vinda de outra pessoa ajudou muito. O apelo de Deus acabou vindo na forma de uma mulher, que aliada a religião, ajudou o homem necessitado a vencer a obscuridade que em boa parte chamam de droga.

 Experiências a parte, das Neves, hoje em dia não passa de quatro latas de cerveja em eventos festivos, ou em sua própria casa. Regido pela sua mulher, a salvação que apareceu em sua vida nos anos em que perder para a droga era quase uma certeza sem volta, a regra é estar de bem e não apelar para o sofrimento das dependências. Apoiado por sua esposa, pela terapia de casais e é claro, a ajuda de Deus, ele de certa forma libertou-se do antigo vício.

 Até onde um vício pode substituir o outro já existente?! Foi a partir deste ponto que é praxe pensar na questão da salvação das drogas pelo meio espiritual, religioso ou o ‘encontro’ com Deus. Boa parte da população que já fora viciada em droga, ou em algum outro tipo de vício, tem ajuda de alguma entidade ligada a Deus, que muitas vezes radicaliza o modo de pensar, ao ponto de substituir o seu vício por outro – a própria religião. Com o nosso convidado não foi diferente, mas o comerciante e ex-viciado, afirma que de modo algum, o apelo pra Deus o tornou um fanático.

 Somado quase nove meses do intenso sofrimento devido ao fracasso das drogas, o agora viciado sem saída, teria a ajuda de uma mulher que mais tarde viria a ser a sua esposa. Ela foi capaz de tirá-lo dos vícios. Após três anos, Antonio estava limpo de dependências químicas, mas deixando o álcool em evidência. Com freqüência, o casal passa a freqüentar terapia com outros casais, onde problemas são compartilhados e muitas vezes resolvidos com alguma ajuda divina.

 Hoje, após quase duas décadas do findado vicio, ele ministra o grupo que lhe ajudou no passado e tem boas expectativas para o futuro. Ao todo, já tirou quatro jovens de um vício que o assombrou por anos: O crack. Como Cristo esteve sempre presente em sua vida pós vício, ele é adepto a religião, e não vê outra saída a não ser nela mesma. O Fanatismo por ela não se tornou um vício, pois esta era uma das maiores preocupações de Antonio.

 A religião e o vício tornaram-se uma dupla em que uma sempre irá completar a outra, pois a partir do momento em que o viciado segue alguns passos de uma doutrina, o seu papel na sociedade é visto como uma vitória, partindo, antes, de um fanatismo em pregar a palavra de cristo, neste caso, visando o catolicismo. Fora religião, outras terapias funcionam. Como a terapia em grupo, onde a espiritualidade não está em voga – uma espécie de alcoólicos anônimos, o A.A, o diálogo entre pessoa que enfrentam o mesmo problema.

Sem Droga, Vida Nova

Publicado: 3 de abril de 2011 em Superação

Jessica Soares e Jesse Henrique

 

Crônica: O vício no confessionário

Publicado: 3 de abril de 2011 em dependência, Drogas

Sandro Ostroski

 

O encontro é sutil. Primeiro vem a conquista intercalada com o receio. Depois vem a observação e a análise da personificação. Tudo parece inofensivo. É como o movimento de um dedo indicador que insinua e transmite por semiótica, o convite aberto de quem diz: “Venha!”. Afinal fascina os olhos que brilham pouco antes do entendimento de que era o próprio modelo escolhido pra uma experiência transcendental atraído pela sedução. O primeiro beijo fatal nunca foi assustador e o clima estava mais para o nirvana.

 Claro que a culpa estava na comunicação massificada do Flower Power, do Paz e Amor, do jargão hippie intitulado “coloque uma flor no seu cabelo”. A contracultura propunha uma forma de protesto de contestação social com um espírito libertário, voltando-se mais para o anti-social aos olhos das famílias mais conservadoras. Tudo era luz, tudo era cor. As interrelações sociais pipocavam. A igualdade e a liberdade sexual estavam acima de quase todas as coisas, abaixo apenas, do criador e da função normativa que comanda a ordem da natureza. Nessa hora a única coisa que importa é o momento. Não existe futuro. Não existe passado e o presente é um mundo de faz-de-contas que ainda confia nas companhias alheias.

 Dai para ali é um pulinho. Depois vem uma leve percepção de que essa união consentida tomava corpo, tomava expressão, tomava dimensão e tomava tempo de luz e de trevas. A escuridão também fascina, assim como os medos absurdos. Porém, ainda é possível sentir a resistência do corpo, da força e do domínio pérfido, quando ao fundo, nascia o reconhecimento de que o fim dessa relação existencial estaria próximo de um sangue derramado, seguido por uma espécie de morte mal morrida. A ideologia lá do início estava esquecida e o paradoxo revela o seu mistério de como se faz uma transição.

 Então, vem a obsessão, vem o sentimento crível de dependência, de tocar o foda-se na carcaça carnívora. O importante é matar a ansiedade e processar a toxina. Dopamina? Adrenalina? Noradrenalina? Tudo para estimular os receptores adrenérgicos do sistema nervoso simpático. Matar a ansiedade é matar o vício. Um por dia, um a cada meio dia, um a cada um e por assim diante. O nada de nada sobra. Nunca acaba, nem quando termina. Dispensa-se o ódio do adorador. Desculpa é apenas mais uma culpa para o louco com água na boca seca, sedento em saciar a vontade. É como apagar um cigarro no cadafalso do sonho enquanto a corda enrola no pescoço para o despertar do pesadelo.

 A última opção é o próximo passo na encruzilhada proposta pelo jogo da vida, onde o caminho se divide entre o certo e o errado, o sim e o não, o bem e o mal. São dois pesos e duas medidas. É o pleno domínio do tempo. Adiantar o calendário é uma questão e escolha que pode fazer cem anos virar dez. Não importa qual o conjunto de práticas e de princípios aplicados. Perseverança passa a ser a palavra de ordem para corrigir os abusos e evitar que a nau saia do percurso que tem como objetivo, um porto seguro.

Uma ilusão necessária

Publicado: 2 de abril de 2011 em Religião
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 Carlos Eduardo Liesemberg Dias Ferreira e Paulo de Siqueira

 Para Sigmund Freud, a religião nada mais era do que uma ilusão necessária. Um complemento para as limitações da cultura cujo objetivo velado seria o de projetar a imagem dos pais no mundo, a fim de domar a hostilidade da natureza. Diante das agruras da vida e do hálito acre da morte inalienável, nós nos aconchegaríamos no colo de um ser maravilhoso – embora também rigoroso; um ser capaz de ocupar os espaços deixados por uma infância que jamais foi plenamente abandonada… Ou superada.

 Embora puramente teórica, é de se supor que a exposição acima elucide, mesmo que parcialmente, o motivo que faz do sentimento religioso uma das principais armas humanas contra comportamentos viciosos os mais variados. Estaria, talvez, a ilusão freudiana cumprindo in loco o seu papel por excelência? “Quando a pessoa entra em uma dependência, ela está justamente tentando ocupar um vazio”, afirma a pedagoga Lucinéia Coscrato, que também coordena a Pastoral Sobriedade. “Não adianta dizer para alguém que simplesmente largue o seu vício, porque o vazio vai permanecer”. 
 

 A posição acima também é ecoada pelo ex-viciado Antonio Neves Junior. Para este, o aporte religioso – em conjunção com o apoio familiar -, pôde, por fim, extirpar a necessidade de mergulhos constantes em vícios que seriam melhor organizados alfabeticamente. Entretanto, vale aqui novamente cruzar informações com o campo menos subjetivo das ciências. “É muito comum que se controle um vício acrescentando outro”, afirma a psicóloga Jucemara Ferraz. Afinal, de alguma forma, o “vazio” deixado deve ser novamente ocupado.

De fato, o espaço que acaba locupletado pelo sentimento religioso não representa nenhuma grande novidade em âmbito acadêmico. Em seu “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, o sociólogo Max Weber chama a atenção para o rigoroso sistema moral erigido no cerne de algumas das seitas protestantes mais radicais. Basta tomar os anabatistas, por exemplo, entre os quais era praticado e altamente recomendado um severo controle dos desejos do corpo. Bebida alcoólica em excesso? Jamais, porquanto conduz o homem a um estado bestial de descontrole!

Todavia, como diz o velho e conhecido refrão popular, “em casa de ferreiro o espeto é de pau”. Em palavras mais formais: é comum encontrar mesmo no seio das igrejas desvios morais patrocinados por vícios, cujo apelo não parece poupar sequer os portadores de boas novas. Para Lucinéia, o motivo permanece: “Muitas vezes nós olhamos o nosso padre, o nosso sacerdote, como se estivesse em um patamar mais alto de santidade, o que não é necessariamente a verdade”.

Para ela, um pároco estaria precisamente na mesma condição de fieis, ou mesmo de réprobos. “A ingestão de álcool contínua [dos sacerdotes na condução de ritos], por exemplo, tem preocupado muito a igreja”. Justifica-se, portanto, a instalação de clínicas para dependentes de bebidas alcoólicas mesmo dentro da igreja católica. Bem, e que tal, então, uma substituição por um “sangue de Jesus” com 0% de álcool? Um preço muito alto para desocupar o vazio, aparentemente: “O vinho utilizado nas missas, o vinho canônico, não pode ser substituído”, acode rapidamente Lucinéia.

Para Freud? Simples: a religião absolutamente não cumpriria o seu papel central de fornecer estofo para uma cultura capaz de manter a humanidade em estado de permanente contentamento… Isso nos seus melhores dias, já que o próprio fundador da psicanálise afirmaria posteriormente, em tom eminentemente cético: a própria cultura, o alicerce da vida em sociedade, torna o homem irremediavelmente infeliz.

Enfim, ao que parece, há de fato valor naquela máxima: “Antes a mentira acolhedora do que a verdade lancinante”. Sigamos preenchendo os espaços, pois.